A agilidade não é um método de desenvolvimento de software. É uma filosofia de trabalho, nascida do software, que toca hoje a gestão, a relação com o cliente e a forma como uma equipa mede o seu avanço. Esta ficha cobre as bases: de onde vem, o que valoriza, e a primeira ferramenta concreta, o Kanban.
o manifesto ágil (2001)
Em 2001, no Utah, um grupo de especialistas em desenvolvimento de software (entre os quais Kent Beck e Jeff Sutherland) reúne-se para responder aos limites dos métodos tradicionais, considerados demasiado rígidos face a um ambiente em mudança. Daí sai o Manifesto Ágil: uma abordagem mais flexível, adaptável, centrada nas pessoas.
Tudo assenta em quatro valores. O truque de leitura: o termo da direita mantém valor, mas o da esquerda prevalece.
| Valoriza-se… | …mais do que… | Em claro |
|---|---|---|
| Os indivíduos e as interações | os processos e as ferramentas | a ênfase está nas pessoas e na sua colaboração. |
| Um software que funciona | uma documentação exaustiva | entregar regularmente software útil prevalece sobre a documentação. |
| A colaboração com o cliente | a negociação contratual | colaborar continuamente para validar o produto. |
| A adaptação à mudança | o seguimento de um plano | saber adaptar-se em vez de seguir um plano fixo. |
os doze princípios
Os doze princípios desenvolvem estes valores. Retenho-os por grupos.
Entrega e valor
- Satisfação do cliente por uma entrega precoce e contínua de software útil.
- Entrega regular, em ciclos curtos.
- O software que funciona é a principal medida de avanço.
Mudança e adaptação
- As mudanças são acolhidas, mesmo tardias.
- A equipa reflete regularmente sobre como melhorar e ajusta o seu comportamento.
Pessoas e colaboração
- Cooperação diária entre a equipa e o cliente.
- Projetos construídos em torno de indivíduos motivados, a quem se dá o ambiente e o apoio.
- O cara a cara é o meio de comunicação mais eficaz.
- Equipas auto-organizadas, das quais emergem as melhores arquiteturas.
Qualidade e ritmo
- Atenção contínua à excelência técnica.
- Simplicidade, a arte de maximizar a quantidade de trabalho não feito.
- Um ritmo sustentável, mantível ao longo do tempo.
A reter: a agilidade ultrapassa o desenvolvimento. É uma forma de tratar a gestão, a coesão de equipa, a relação com o cliente e os critérios de avanço.
um framework, não um método
Fala-se de framework, não de método. Um método pode ser fechado, uma receita a seguir à risca, o que a agilidade evita. Um framework é suficientemente definido para guiar, mas suficientemente aberto para ser adaptado por cada equipa. Os dois mais populares são Scrum e Kanban.
O Kanban, na sua forma simples, é um quadro de tarefas em colunas, completado por uma lista de prioridades. Visualiza o fluxo (quem faz o quê, em que estado) e revela os estrangulamentos.

Três chaves fazem todo o sabor do Kanban:
- Limitar o WIP (work in progress): não pegar em mais do que se consegue gerir. Less is more.
- Visualizar os estados: compreender o estado num relance.
- Medir, através de duas durações que não se devem confundir.
| Métrica | Definição |
|---|---|
| Lead time | da fixação do objetivo (pedido do cliente) até à entrega. |
| Cycle time | da passagem de uma tarefa a em curso até à sua finalização. |
Referência: o lead time contém o cycle time. O lead inclui a espera antes do arranque, o cycle só conta o tratamento ativo.
Ficha de revisão tirada da certificação « Project Management & Agile Fundamentals », Santander Open Academy. Esquemas retirados do curso.